Era uma vez dois pequeninos camundongos
Os dois viviam atrás do fogão da casa do padeiro
então sempre, como era costumeiro
caiam restos de comida, razão de seu sustento
Afinal, os dois saiam o mínimo
fora da fresta que habitavam
sair mais do que um corpo de distância sequer arriscavam.
Eis que a fêmea do casal resolveu fugir daquela situação
Cansada da vida miserável e sem perspectivas
idealizou a busca pelo amor verdadeiro
O camundongo, contrariado, dizia dos perigos do mundo externo
Perguntou se ela não tinha amor pelo seu lar
Mas para ela ficar não era mais do que um lugar de sofrer em eterno
Saiu, com o parceiro a ficar com a casa
e as migalhas recolhidas durante a sua vida em conjunto
Passou pela despensa e o rato que ali morava acenou
Ela então parou e uma breve conversa teve com o roedor
Ele disse que ali a fartura imperava e que tudo de bom sempre havia
Questionou se ela não teria amor pelas posses que lhe oferecia
A pequena roedora ficou tentada, mas disse que muito mais no mundo lhe aguardava
E seguiu seu caminho
Longe do rato e da sua cobiça material insana
Passou pela área de serviço e avistou uma grande ratazana
Esta lhe interrompeu brutamente
Era forte e truculenta, moradora do ralo
Espantava a todos os pequenos bichos com seu rabo, chicote em estalo
Ofereceu abrigo e disse que ali ninguém a incomodaria,
poderia ir a despensa quando quisesse furtar comida,
ir a cozinha soturnamente fuçar o fogão
isso tudo sob sua tutela e proteção
Perguntou se a sua integridade física e o domínio sobre os outros não era o amor que procurava
Mas sequer resposta teve pois há muito a pequena se distanciava
Afinal não era aquilo que ela esperava.
Deparou com a porta que dava para o jardim e viu quão belo era o exterior
Mas o êxtase da paisagem pouco demorou
de repente, trocou o seu lugar pelo do terror
Pois surgiu um enorme gato, alvo e ágil
Em seu pescoço um colar e um pingente com o nome Destino
Ele era velho, sábio, imponente
porém para ela não era nada mais do que um felino
Trazia na outra pata, outro camundongo e fez uma oferta
Perguntou do seu amor pela vida e ofereceu para trocar pela do outro roedor
Ela recusou e falou que amar a vida sobretudo é buscar preservá-la
E que na pequena odisséia que tivera até aquele momento aprendera
Que o amor verdadeiro pode até não ser encontrado,
mas devemos buscar para que o caminho para ele seja trilhado
Falou que na sua fenda, ao lado do companheiro, era conformada
Ao lado do rato da despensa seria acomodada
Junto a ratazana da área de serviço seria apenas aprisionada
O gato pensou um pouco e soltou os dois ratinhos
ela perguntou intrigada o que ele estava a fazer
E ele em um sorriso sábio e sarcástico começou a dizer:
" Sigam a sua busca pois não é hora ainda de vocês terem comigo. Vou fazer o meu papel para aqueles que, a despeito do que sabem, acham que eu nunca chegarei.
Mesmo na segurança dos seus lares, estarei lá para visitá-los, pois, no fim, sou inevitável. "
E seguiu para a área de serviço, pensando no caminho mais curto para a despensa e depois o fogão
Ficou um remorso na camundongo fêmea, mas ela sabia, como disse o gato, que aquilo um dia aconteceria.
Olhou para o lado e viu que o outro ratinho a convidava para sair ao jardim continuar sua caminhada
Ela pensou e sorriu
O destino é estranho
nos arrebata com uma mão, mas sempre nos oferece algo novo com a outra
não nos cabe entender
mas aproveitar as oportunidades que ele vem a oferecer.
E seguiram na relva verde até nunca mais serem vistos
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