quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Costurando

A costureira cerziu o tecido puido
Roído de bichinho que busca docinho
Derramaram ali o mel dos olhos de alguém
E juntou bicho de cada formigueiro da cidade
Veio formiga grande e negra, veio a vermelha pimenta
Mas continuou a verter mel em lágrima
E bichinho nenhum vencia levar tanto doce
Fosse inseto que fosse
Juntaram então o conclave e da questão saiu uma chave
Manda a dona traça de trapaça e come o pano
Adiantou nada não
Quem chorava era a própria costureira
A cada pedacinho levado embora, ganhava mais um remendo
Só não tinha remendado, o coração ainda furado
Faltava achar alguém, para chorar um mar de águas,
e quem sabe assim afogar as suas mágoas

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