segunda-feira, 12 de abril de 2010

Silêncio

As vezes em que fiquei mudo
produzi mais som na cabeça
do que ruído com a boca
Escutei por que queria
Calei por que devia
Não disse nada,
 por que
 para dizer
 nada havia
Vai o trovão rugir
E o leão trovejar
falar algumas vezes
é confusão
calar muitas vezes
é submissão
Falar e calar sabiamente
é perfeição
Palavras magoam, mas só aquelas que ecoam
Se, no entanto,  tem alguém ao seu lado
Para fazer um discurso susurrado
Qualquer ofensa se dispersa
Qualquer mal julgamento
Se desfaz na palavra de alento
Uma conjugação não se segura em meus lábios
E escapa, por serem eles amantes e não sábios
Amo, amarei, amado, amada, ...
Minto, retirei algumas das variações do verbo amar
Umas por que não foram
Outras por que foram demais
ambas ficaram para trás
Aprendi que mais do que se falar sobre amor
É preciso descobrir como senti-lo, seja como for
Em adoração ou em dor, na contemplação ou com calor
Fico calado olhando
um sinal para o iniciar da minha verdadeira felicidade
não nos olhos vermelhos de chorar
nos olhos amarelos de beber
mas sim nos olhos verdes de viver.

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