quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fome

Antes não tivera conhecido quem me rouba os sonhos
Quando jogo migalhas à um passarinho e aos que passarão
Padeiro que sou eu de mão cheia
Faço fornadas de pães de ló , em consideração
Tantos que dá dó vê-los jogados ao chão
Sei que faço demais e até doce em demasia, enjoa
Mas o cozinheiro não despreza quem come hoje ou amanhã, apenas cantarola a toa
Quando prepara um ou mil pratos
Sejam seus clientes fartos ou alheio aos fatos.
Quer fazer para os outros o que melhor lhe aprova o dom.
Dar sentido a vida, dar-lhe textura, sabor e tom.
O Padeiro que sou não se cansa de procurar a receita perfeita,
Aquela mistura precisa que nunca poderá ser refeita
Que quando o próprio cozinheiro levar a boca o quitute
Por mais que ele resista, negue, evite ou lute
Saiba que é aquele o alimento de seu corpo e a necessidade de sua alma.
Mesmo que no anseio de esperar a massa crescer, enquanto descansa mais calma,
custe-lhe mais do que o desejo de quem anseia provar,
em pequenos mordiscos e não apetite cruel,
insistente criança a queimar os dedos e a língua com o calor do não
males dentro do corpo difíceis de curar
amargor de féu
e nada mais então.
Quisera eu que não me tivessem roubados os sonhos.

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