Se me perguntam qual a receita da inspiração para escrever
Digo que são os mesmos ingredientes, porém preparados de maneiras diferentes
O principal, e talvez este seja o ponto difícil de aprender
É que nós somos, nesta mistura o item principal e, apesar disso, meros recipientes
Então anote aí, mas sintasse a vontade de retirar ou colocar algo
Pegue coisas de seu dia a dia, um sorriso que lhe deram, um beijo recebido, um abraço doado
Não, não acrescente complementos, por que a vida tem o gosto que tem, eu não adoço e muito menos salgo.
Junte os sentimentos que anjos , cupidos e querubins lhe trazem, guarde do lado do coração, ainda cru e sem ter sido cozido pelos anos vividos. Isso vai dar um gosto especial para sua alma, o recheio que dá vida ao prato.
Reserve um pouco de fôlego em cada pulmão para que as faltas de ar, que ocorrem a simples lembrança daquela, não lhe deixem doces suspiros suprimidos.
Deixe ferver nos raios do sol que brilham em tempo de céu azul e pássaros a cantar, e ponha para descansar sobre a areia de uma bela praia, debaixo do corpo de quem ama, para fazer crescer com o fermento do carinho. Cresce mais quando adicionamos volúpia e sexo, mas costuma desandar.
Esse é um modo de uma bela inspiração preparar. Só serve a duas porções no primeiro momento, mas se vingar, pode ser repartido em porções menores no futuro.
Agora o outro depende muito pouco de você, apesar de continuar sendo o recepiente.
Quem fará o preparo será outra pessoa. Não repare se ela não tiver zelo ou cuidado qualquer com os ingredientes ou mesmo com o vasilhame que você é.
Alguns momentos ela, ou ele, utilizarão utensílios pouco convencionais, como papel mal escrito, frase dura e sem ponta, voz seca para esvaziar o recheio da alma ou simplesmente o pé.
O abraço, o beijo, o sorriso e tudo mais que lhe deram serão devidamente socados de encontro a seu peito, como que triturados, muitas vezes por um processo de transferência de todos esse itens para um outro recipiente,que gozará do preparo mais agradável.
Todos os sentimentos com asas serão depenados, pena a pena sem pena, retirados do lado do coração e fundidos ao fígado, para criar um gosto de féu, um amargo na boca. Esse é o gosto final de nossa segunda versão da tão desejada inspiração.
O segundo prato fica melhor a cada dia que passa, não cresce, fica uma massa feia e dura, mas rende muitas e muitas porções servidas em poesias, versos, músicas. Não é incomum servir-se acompanhado de um belo copo de lágrimas.
Bem, a receita está aí, talvez você já tenha até ela decorada e não ache nada demais.
Espero que consiga prepará-la da melhor maneira que lhe convier, mas acredito que acabará sendo do jeito que o mestre destino quiser.
Bom apetite
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário