Bicho Homem, quase sempre só bicho
Vira gato vira lata remexendo seu lixo
Procura xêpa , sardinha, para alimentar a fome mesquinha
Vira cachorro sarnento pra causar dó, veste sofrimento para ficar só
Corre atrás da condução do viver que perdeu
Se o carro pára, não late, não morde,
Até a coragem faleceu
Vira rato escondido pelos cantos, buscando migalha de pão,
Arrasa qualquer lar por pedaço de queijo de fábula, rói até o cerne o coração de papelão
Vira gato velho, sem dono, sem lei, sem casa
Senão a sua própria vontade, que rasga com garras,
comendo engasgado o pássaro sem asa
Querendo fugir do que lhe deu o destino
Vira verme no intestino,
Lagarta que não renasce em borboleta,
só tece seda para seu calor que mal dá para uma camisa
Vira bicho coxo que se derruba na mais leve brisa, capenga errante, pangaré ofegante
Só é corcel quando prova de uma mulher um gole do seu doce e bêbado mel
É como mágica de borralheira que transforma camundongo no alazão da cocheira
Refuga o medo da ratoeira pelo belo sol do alvorecer
Que brilha em uma juba leonina bela e alva, radiante sem nada a temer
Pêlo eriçado e excitado, sede por sangue, carne que copiosamente anseia roubar
de um naco na pele menina
como muda a besta homem para o homem besta
quando amansa a crina é a mão da musa que vira o feitiço
dele ser animal senhor do bicharedo para ser prisioneiro bicho de estimação só dela
mas vivendo cada dia como rei da selva de pedra, sem medo.
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