Quisera eu ter a noção de tudo no mundo.
Não sei se o desejo é certo e se isso iria ajudar ou prejudicar, mas é algo para se ocupar nos pensamentos, disso tenho certeza. Quanto mais penso no que cada fato reflete no dia a dia, na seqüência de outros novos fatos que irão acontecer, menos me percebo do todo. Será que é essa a condição de Deus? Ser onipotente é na realidade ser onisciente, o saber tudo é o poder absoluto? E a responsabilidade derradeira? Imaginei-me então um dia podendo saber de tudo e de todos, o que acontece e o que resultará de conseqüência de cada acontecimento passado.
Vi-me mais velho, preocupado, sisudo, contemplando um horizonte sem fim para muitos, mas já sem graça para mim. Então pensei que se pudesse tudo saber talvez pudesse a todos ajudar, não apenas aos meus próximos, mas todos nesta grande aldeia global.
Mas me lembrei de súbito que somos vários índios, muitos antropófagos, engolindo outros homens, sem ao menos entender o que eles têm a nos dizer. A barreira da língua, da cultura seria um grande obstáculo, não para que eles entendessem, mas para que eu percebesse que mesmo sabendo de tudo, será que eu entenderia o que aquelas tradições representariam para aquela nação? Será que me compreenderiam, me diriam louco, ou apenas me ignorariam?
Ser onisciente não seria o suficiente.
Deveria ser onipotente, mas de um modo que pudesse força alguma recusar os meus desígnios, afinal eu saberia quem poderia ou não estar contra minha vontade. Mas do que adiantaria isso se eu não pudesse estar em todos os lugares para controlar o que acontecia, pois em cada canto do mundo poderia alguém se insurgir, daí a homogeneidade dos meus atos não seria observada.
Então parei de imaginar tudo isso, quando já caia a tarde e no estômago me vinha uma sensação de fome. Voltei para casa, saciei minha necessidade e percebi que com o corpo físico não poderia fazer qualquer uma das coisas que havia questionado serem de Deus.
Se eu virasse um espírito então, uma alma solta no ar poderia estar em todo o lugar, em todo o tempo, saber de tudo e ter o poder de não ser tocado ou prejudicado...Aí me veio a revelação... do maior poder de Deus.
Ser onisciente, presente, poderoso, porém não ter corpo para ser visto, não ser escutado, não podendo ser tocado para ser considerado real e ainda assim todos que existem sob uma forma ou outra de religião acreditam em sua existência e se guiam por seus ensinamentos.
Percebi que o maior poder que Deus possui é o despertar da fé naqueles que nele crêem e me deitei feliz, pois após toda essa reflexão me deixou certo algo no meu coração.
Que minha fé é poderosa, nela me fortaleço e com ela ajudarei a quem puder e como puder.
Que possamos ser assim...com a benção de Deus.
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